15 - O tempo
A minha memória anda esquisita, já não é o que era, só funciona para certas coisas e com critérios que desconheço. O que por vezes me deixa em dificuldades. No almoço chamei Neves ao Soares e Carlos Alberto ao Simão. Por isso é que ele não me respondia, até pensei que fosse surdo. As minhas desculpas.
*
Se a alguns de vós perguntei o nome a outros tive mesmo de ser apresentado! Que vergonha!
*
Como te chamas tu, desculpa lá a pergunta? Eu? Eu sou o Sevilha, pá! Não te lembras do Sevilha, pá?! Exacto, exacto, só o Sevilha falava assim, confere!
*
A vários procurei ler o nome na silhueta, no modo como gesticulavam ou se sumiam, nos pequenos gestos, na voz, nas suas diversas e definitivas assinaturas.

Durante todo aquele tempo do almoço fui olhando para vocês, para o retrato de turma que trazia comigo e para o que de vós recordo. Ver tudo isto sobreposto, em triplicado, em derradeira paralaxe.
*
Sensação estranha, sensação estranha. O tempo é um desfocador.
*
Depois do almoço raspei-me durante uns minutos, agarrei na máquina e fui revisitar a Emídio, sozinho. Andei por todo o lado sem que ninguém me chateasse. E dei por mim a completar o perímetro da escola em pouquíssimo tempo. Eu já sabia que as escolas nestas alturas encolhem, nunca mais têm a extensão que tinham quando éramos pequenos, mas que diabo, até parecia que andava no interior de uma maquete. Já tinha dado por isso no Ginásio, agora tão pequeno.
*
A porta do anfiteatro da C-3 estava fechada e o número da sala mudado. A C-3 prescreveu. Se calhar já nem é anfiteatro. [Senhores pedagogos, do que me lembro, as aulas mais produtivas deram-se em pequenos anfiteatros, não em salas planas e muito menos em grandes salas. Não sei se há aqui alguma lei oculta. À vossa consideração].
*
Salas vazias, abrir esta ou aquela porta ao acaso.
A esperança de surpreender ainda um riso, um grito, uma impertinência, antes que se dissolvam para sempre no ar.
*
No fim da volta fui olhando para as portas das traseiras das oficinas. Têm garatujas novas. O tempo é outro, ainda bem.
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Se a alguns de vós perguntei o nome a outros tive mesmo de ser apresentado! Que vergonha!
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Como te chamas tu, desculpa lá a pergunta? Eu? Eu sou o Sevilha, pá! Não te lembras do Sevilha, pá?! Exacto, exacto, só o Sevilha falava assim, confere!
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A vários procurei ler o nome na silhueta, no modo como gesticulavam ou se sumiam, nos pequenos gestos, na voz, nas suas diversas e definitivas assinaturas.

Durante todo aquele tempo do almoço fui olhando para vocês, para o retrato de turma que trazia comigo e para o que de vós recordo. Ver tudo isto sobreposto, em triplicado, em derradeira paralaxe.
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Sensação estranha, sensação estranha. O tempo é um desfocador.
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Depois do almoço raspei-me durante uns minutos, agarrei na máquina e fui revisitar a Emídio, sozinho. Andei por todo o lado sem que ninguém me chateasse. E dei por mim a completar o perímetro da escola em pouquíssimo tempo. Eu já sabia que as escolas nestas alturas encolhem, nunca mais têm a extensão que tinham quando éramos pequenos, mas que diabo, até parecia que andava no interior de uma maquete. Já tinha dado por isso no Ginásio, agora tão pequeno.
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A porta do anfiteatro da C-3 estava fechada e o número da sala mudado. A C-3 prescreveu. Se calhar já nem é anfiteatro. [Senhores pedagogos, do que me lembro, as aulas mais produtivas deram-se em pequenos anfiteatros, não em salas planas e muito menos em grandes salas. Não sei se há aqui alguma lei oculta. À vossa consideração].
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Salas vazias, abrir esta ou aquela porta ao acaso.
A esperança de surpreender ainda um riso, um grito, uma impertinência, antes que se dissolvam para sempre no ar.
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No fim da volta fui olhando para as portas das traseiras das oficinas. Têm garatujas novas. O tempo é outro, ainda bem.
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